“E chega o mês de agosto o caboclo deixa roça e vem sua promessa pagar, o rio vira céu estrelado de barquinhas e luz a piscar, foguetes estouram no alto e este povo de fé a cantar santo Antônio padroeiro de Oriximiná”
Nas linhas da canção dos artistas da terra imortaliza a devoção do povo oriximinaense no seu padroeiro neste ano 2022 celebraremos a volta da devoção do povo por santo Antônio no tradicional círio Fluvial, os círios na Amazônia não se resumem apenas a velas de cera e barulho de fogos! Mas na religiosidade latente de um povo que acredita em dias melhores entrelaçado com o sagrado dos acontecimentos no seu cotidiano.
O círio de Santo Antônio tornou-se fluvial em 1946 por um acordo da então prelazia de Santarém e a diretoria da festa e lideranças religiosas na cidade, mas a devoção de santo Antônio já existia terrestre desde princípio do século XX. Muitos documentos históricos se perderam por falta de zelo e conhecimento de proteção patrimonial, mas os poucos que restam confirmam os círios terrestres anualmente entre 1916 e 1945.
Em 1904 quando Dom Frederico costa primeiro Bispo Prelado de Santarém visitou as paróquias ligadas a prelazia reinante o povo de Oriximiná tinha o desejo de construir uma nova igreja que se fizesse confortável para suas devoções uma vez que a pequena capela de santo Antônio edificada após a fundação do povoado de Uruá tapera estava em estado precário para os cultos religiosos.
As festas religiosas já movimentavam a vida de pequenas cidades pelo interior do oeste paraense em Oriximiná a festa mais forte era de são Sebastião a cada mês de janeiro, são Benedito, coroação de Nossa Senhora e a festa de Santo Antônio em agosto sempre de 01 a 15 de agosto não obedecia ao dia da semana se era de segunda a domingo, mas sempre de iniciando dia primeiro de agosto e findando dia quinze de agosto dia do aniversário de nascimento do Santo.
Em 1916 aproveitou-se o saldo da festa de São Sebastião do ano 1914 na reforma da capelinha trabalho paliativo que não se demorou a precisar de restauro. Foi assim que as famílias com poder aquisitivo, mas elevado decidiram mudar a igreja para outro ponto da cidade desta forma segundo Etelvina Queiroz cita em seu artigo a história da Igreja Matriz a observação de Dom Frederico Costa em 1904:
“O interesse que vimos reinar em toda população no que diz respeito a religião, interesse em na manutenção da igreja no desejo ardente de se levantar uma nova, oferecendo espontaneamente seus serviços trabalhando sem remuneração alguma na condução de pedras arrancadas do rio Trombetas”.
O povo de Oriximiná já enfrentou e ainda enfrenta desafios políticos, econômicos, intempéries naturais como cheias e vazantes, mas sempre com fé e esperança em dias melhores não desiste de sua devoção em seus santos padroeiros.
A prova disso que diante da pandemia da covid 19 em 2020 e 2021 suspendeu -se a devoção nas águas do rio Trombetas e voltou ao círio terrestre limitado, mas sempre com missas transmitidas na internet tivemos que nos reinventar para viver e a tradição se manter de pé em meio a um grande problema na saúde pública mundial.
E assim que avançou o frear da pandemia já se vivia a expectativa do Círio original voltar acontecer e povo se alegrou a Igreja e suas comunidades decidiram e as manifestações na preparação do retorno começaram.
VIVA SANTO ANTÔNIO PADROEIRO DE ORIXIMINÁ FELIZ CÍRIO 2022.
Autor Jackson Vieira de Azevedo, Bacharel em Serviço Social, Especializando Lato Sensu em Arqueologia e Patrimônio e especializando em História e funcionário Público Municipal da secretaria de Cultura e Turismo Semcut.
Fontes documentos históricos do acervo paroquial. Programas da festa de 1936-2019, artigos, livros, monografia em história de Valdeci Silva Vieira 2009 acervo próprio e acervos do município.















































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