Oriximiná, no oeste do Pará, viveu um momento de celebração que uniu fé, arte e identidade cultural durante o Círio de Santo Antônio, padroeiro do município. A música “Glorioso Santo Antônio”, escrita por Silvio José Printes e interpretada pelo cantor João Gabriel, ganhou um videoclipe especial que mescla devoção religiosa e a força da cultura quilombola.

Gravado em ritmo de carimbó, estilo regional amazônico, o clipe teve como cenário pontos emblemáticos da cidade, como a Praça Santo Antônio, a Escadaria do Cai-Cai e a orla de Oriximiná, locais que tradicionalmente se tornam palco das manifestações culturais durante o período das festividades.

A produção musical e a mixagem ficaram sob a responsabilidade do Studio Osvaldo Simões, com melodia e arranjos assinados em parceria por Osvaldo Simões e João Gabriel.

Homenagem em forma de música
A letra, escrita por Silvio José Printes, é uma verdadeira oração cantada. O refrão invoca Santo Antônio como intercessor dos humildes, defensor dos pobres e oprimidos, pedindo paz, amor e esperança ao povo oriximinaense. O tom é de súplica, mas também de gratidão.
Glorioso Santo Antônio,
Dos humildes és intercessor.
Ouça nossas preces,
E traga-nos paz e amor.Com sua mão protetora,
Mostre-nos o caminho
Da justiça e da compaixão.
Te louvamos com todo carinho.Santo Antônio, defensor dos pobres e oprimidos!
Trás esperança a este povo…
A este povo sofrido.Que sua intercessão seja poderosa,
E que nossas orações sejam agraciadas.Seu exemplo nos inspira, a viver, com mais amor, fé e dedicação, e a paz, que tanto buscamos.
Em nossos corações!
Dança afro dá corpo à mensagem
Se a música traz emoção pela letra e pelo ritmo, o videoclipe ganhou vida com a participação especial do grupo de dança afro Pérolas Negras, responsável pela coreografia. Os integrantes transformaram em movimento a mensagem de fé, trazendo passos cheios de energia e a essência da cultura quilombola.

Oriundo do Quilombo Boa Vista, no Alto Rio Trombetas, o grupo Pérolas Negras carrega em suas apresentações a marca da diversidade afro-brasileira, combinando elementos da tradição quilombola com influências contemporâneas. Participaram da coreografia os dançarinos Jocienne Sena, Claudio Colé, Karen Colé, Ikhy Colé, Regina Cordeiro e Emilly Santos, sob coordenação de Joênne Sena.
Identidade quilombola e inspiração social
O nome Pérolas Negras foi inspirado em um projeto social criado em Viçosa (MG), que tinha como principal objetivo estimular meninas negras a se reconhecerem e se valorizarem. Em Oriximiná, o grupo ganhou vida dentro da comunidade do Quilombo Boa Vista e hoje é composto por ex-alunos e moradores que se dedicam à dança como forma de expressão cultural.

A escolha das músicas e dos figurinos é feita de forma coletiva, permitindo que cada integrante contribua com ideias, sempre respeitando o compromisso com a preservação da memória e da cultura quilombola.
Assista o vídeo abaixo:














































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