Mais de 55 mil filhotes de quelônios foram devolvidos à natureza durante ações do Projeto Pé-de-Pincha nos municípios de Terra Santa e Oriximiná, no oeste do Pará. A mobilização reuniu comunitários, pesquisadores e parceiros institucionais, consolidando uma das principais iniciativas de conservação da fauna amazônica. Ao todo, foram soltos 55.899 filhotes, sendo 52.168 tracajás, 875 iaçás, 2.577 tartarugas e 279 irapucas. A soltura representa a etapa final de um ciclo de monitoramento e realizado em 31 comunidades da região.

Com mais de 27 anos de atuação, o projeto se destaca pela integração entre saber científico e conhecimento tradicional. A iniciativa conta com a participação de instituições como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além da parceria com a Mineração Rio do Norte (MRN) e apoio da Prefeitura de Terra Santa, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mineração.
De acordo com a coordenadora do projeto em Oriximiná, Sandra Azevedo, os impactos positivos são perceptíveis ao longo dos anos. Segundo ela, áreas atendidas pelo projeto apresentam aumento da biodiversidade e recuperação de espécies. “Para a MRN é uma grande satisfação trabalhar e apoiar esse projeto, estar junto com grandes instituições de ensino que propagam conhecimento e fortalecem as ações dentro dos municípios e estados. A gente faz essa troca de saberes com os comunitários, integrando o saber técnico dos profissionais da academia como os graduandos, mestres, doutores e pós-doutores com o saber local através das lideranças do projeto na comunidade e demais comunitários voluntários. Essa união fortalece a manutenção da vida, a conservação do meio ambiente e, principalmente, a preservação da biodiversidade na Amazônia”, afirmou.
Para os comunitários, participar da soltura representa um sentimento de cuidado e responsabilidade com a natureza. Moradora da comunidade Boa Nova, no município de Oriximiná, Josineide Castro, 43 anos, destacou a importância do envolvimento local na preservação da espécie. “É um sentimento muito grande de carinho e de cuidado com a soltura dos quelônios. Eu também faço parte do projeto e a gente aprende que quanto mais cuidado tiver com a natureza, mais a gente ajuda essas espécies a continuarem existindo, mesmo com tantos desafios e predadores”, afirmou.
A troca de conhecimentos também é apontada como um dos pilares da iniciativa. A estudante de Ciências Biológicas da UFOPA, Andreiva Araújo, ressalta a importância do contato com as comunidades. “A gente aprende muito com os comunitários, porque eles têm a vivência do dia a dia. Quando juntamos o conhecimento da universidade com o conhecimento deles, conseguimos entender melhor o processo e perceber que esse trabalho gera resultados para as próximas gerações”, afirmou.
O coordenador técnico em Terra Santa, João Alfredo Duarte, destacou o papel da iniciativa privada no fortalecimento do projeto. Segundo ele, o apoio da MRN vai além do financiamento, contribuindo também para o desenvolvimento social das comunidades envolvidas. “A importância da MRN não está apenas no patrocínio ao projeto em Terra Santa. Essa ação da iniciativa privada é muito significativa para a conservação da fauna silvestre, e a empresa também tem contribuído em um aspecto de grande relevância social”, pontuou.
Já a voluntária Maria Pontes enfatizou o impacto coletivo da ação. “Para nós que trabalhamos nesse projeto, isso significa muita coisa. Principalmente por causa dos filhotes, que vão crescer e permanecer para as novas gerações. É algo que fica para o futuro”, afirmou.
Pioneiro na iniciativa, o agricultor Eduardo Gonçalves, da comunidade Castanhal, em Oriximiná, acompanhou a evolução do projeto desde o início. Ele lembra que, no passado, a região enfrentava altos índices de predação. “No início, a gente via muita predação dos animais. Então nos reunimos para buscar conhecimento e encontrar uma forma de preservar. Hoje o projeto envolve várias comunidades e cada vez mais pessoas entendem que esse trabalho é importante para garantir a natureza para as futuras gerações”, concluiu.














































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