Cerca de 8 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia foram devolvidos à natureza no último sábado 17, na Reserva Biológica do Rio Trombetas, em Oriximiná, no oeste do Pará. A soltura reuniu moradores de comunidades locais, agentes ambientais, voluntários e parceiros e faz parte do Programa Quelônios do Rio Trombetas (PQT).

Na última temporada, o programa alcançou a marca de 104.923 filhotes inseridos no meio ambiente, considerando as espécies tartaruga-da-amazônia, tracajá e pitiú. A iniciativa é realizada há mais de quatro décadas e tem como base o trabalho conjunto entre comunidades tradicionais e órgãos ambientais.

Segundo o agente ambiental Manoel Raimundo, que atua diretamente na reserva, o resultado é fruto de um trabalho contínuo de proteção e monitoramento. “Foi um ano muito positivo. Tivemos um sucesso que não esperávamos, resultado do esforço diário das equipes, do apoio recebido e do envolvimento das comunidades na preservação do Rio Trombetas”, afirmou.
Para os moradores da região, a proteção dos quelônios também tem um significado cultural e histórico. O líder comunitário Aluísio Silvério dos Santos destaca que o cuidado com as tartarugas atravessa gerações. “É pensar nos nossos netos e bisnetos, para que eles possam ver essas tartarugas vivas, fazendo parte da nossa realidade, e não apenas das histórias antigas”, disse.
Décadas de conservação
Coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Programa Quelônios do Rio Trombetas se consolidou como uma das principais iniciativas de conservação da biodiversidade na região. De acordo com a coordenadora do ICMBio Núcleo Trombetas, Maria Carolina, a participação comunitária é essencial para o sucesso do programa. “As tartarugas fazem parte da origem da própria reserva. Chegar a números tão expressivos é uma conquista construída por quem vive aqui e dedica a vida à proteção desse território”, destacou.
A Mineração Rio do Norte (MRN) é parceira do programa e apoia as ações desenvolvidas no Alto Trombetas e no Lago Erepecu. Para a empresa, os resultados são fruto da cooperação entre instituições e comunidades. “É um programa de grande importância para a conservação da biodiversidade na Amazônia. Essa união de esforços gera resultados concretos, como o número expressivo de filhotes soltos”, afirmou Genilda Martins Cunha, coordenadora do Programa de Educação Socioambiental da MRN.














































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