A tradição se mantém viva às margens dos rios da Amazônia. Em Oriximiná, no oeste do Pará, cerca de 40 pessoas se reuniram ao longo de mais de 8 horas de trabalho intenso para realizar a colheita da aninga, planta aquática essencial para a confecção das tradicionais barquinhas do Círio Fluvial de Santo Antônio.

A ação aconteceu em uma área ribeirinha do rio Cachoeiry, enfrentando uma das maiores dificuldades desta edição: o nível elevado das águas. A cheia do rio exigiu esforço redobrado dos voluntários, que, mesmo enfrentando o terreno alagado e de difícil acesso, mergulharam literalmente no trabalho para garantir que a tradição fosse mantida.
Após a coleta, os troncos da aninga são transportados de canoa até o ponto de corte, onde são cuidadosamente serrados em rodelas. Essas rodelas, por sua vez, serão unidas a uma base de papelão, uma vela e um balão de papel de seda – conjunto que dá forma às barquinhas que, na noite do Círio, irão flutuar pelas águas em homenagem a Santo Antônio.
Mais do que uma tradição, o trabalho em torno das barquinhas é uma verdadeira demonstração de fé. Crianças, jovens e adultos participam ativamente de todo o processo, desde a coleta até a montagem final, transformando a produção em um ato coletivo de devoção. A cada barquinha confeccionada, renova-se o gesto de esperança, gratidão e espiritualidade que atravessa gerações e reforça a identidade cultural e religiosa do povo de Oriximiná.
Neste ano, a expectativa é de que mais de 10 mil unidades sejam produzidas, mantendo viva uma das expressões mais simbólicas da fé popular de Oriximiná, que transforma o rio em um espetáculo de luz, devoção e memória coletiva.





























































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