Lançado no dia 29 de dezembro, o mini-documentário “Santo Antônio dos Narcisos” lança luz sobre uma das manifestações de fé mais singulares da região oeste do Pará. A produção audiovisual narra a história do aparecimento da imagem de Santo Antônio, encontrada por narcisos crioulos durante uma escavação em um antigo cemitério na cidade de Óbidos, episódio que marcou profundamente a identidade local e deu origem a uma devoção que atravessa gerações.

Unindo tradição oral, pesquisa histórica e registros audiovisuais, o documentário reconstrói o percurso da fé em Santo Antônio do Rio Cachoeiry, revelando seu valor simbólico, religioso e cultural. A narrativa percorre passado e presente, mostrando como a devoção se consolidou como um elo de pertencimento, união comunitária e resistência cultural.

Entre os depoimentos está o de Ângela Serrão, moradora da comunidade e responsável por um importante trabalho de resgate histórico e preservação da memória local. Foi ela quem reuniu relatos, documentos e lembranças, escrevendo à mão a história de Santo Antônio, garantindo que detalhes importantes não se perdessem com o tempo.

A produção conta ainda com apoio e pesquisa do historiador Jackson Vieira, que contextualiza o surgimento da imagem e a devoção popular dentro da história regional, ampliando a compreensão sobre o significado do culto para a comunidade.

O documentário tem produção audiovisual assinada por Silvio Printes, com registros que valorizam a narrativa visual e o olhar sensível sobre a fé e as tradições locais. O apoio da coordenação comunitária, representada por Douglas Souza, foi essencial para a realização do projeto, fortalecendo o diálogo entre a produção cultural e os moradores da comunidade. Também participam da obra relatos de Manoel da Silva, morador que integra o processo de confecção das tradicionais barquinhas do círio.

Além dos depoimentos, Santo Antônio dos Narcisos apresenta registros do Círio de Santo Antônio do Cachoeiry, uma das mais expressivas manifestações religiosas da região, que reúne fiéis em celebração e reafirma a continuidade da tradição ao longo das gerações.

Mais do que um registro histórico, o mini-documentário se propõe a refletir sobre memória, fé e identidade, valorizando o patrimônio cultural imaterial amazônico e reconhecendo o protagonismo comunitário na preservação de suas próprias histórias.
A produção foi viabilizada por meio da Lei Aldir Blanc de Fomento à Cultura, importante política pública de incentivo ao setor cultural brasileiro, que possibilitou a pesquisa, a produção audiovisual e o registro da história do Santo Antônio do Rio Cachoeiry, contribuindo para a valorização das tradições culturais e da memória coletiva da região.















































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