Um encontro voltado à valorização do trabalho feminino e à geração de renda movimentou o distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná, no oeste do Pará. A 1ª Feira Empreendedora do Baixo Amazonas foi realizada no último dia 14 de março e reuniu 29 mulheres dos municípios de Oriximiná, Terra Santa e Faro, que apresentaram produtos e serviços desenvolvidos ao longo de um processo de formação.
O evento ocorreu no Mineração Esporte Clube (MEC) e abriu espaço para a comercialização de itens como artesanato, alimentos regionais e produtos oriundos da agricultura familiar. A programação também contou com atividades culturais, momentos de diálogo entre as participantes e a apresentação de uma plataforma digital criada para impulsionar as vendas das empreendedoras.

A feira integra as ações da Rede Empreendedora de Mulheres Amazônidas (REMA), iniciativa coordenada pela Associação da Organização de Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas e financiada pela Mineração Rio do Norte (MRN). O projeto também envolve o grupo Bora Mana, formado por mulheres de Porto Trombetas e ligado a ações de incentivo à equidade de gênero. “Por meio das oficinas e capacitações, observamos um grande desenvolvimento das empreendedoras. A feira foi uma oportunidade de dar visibilidade a esse trabalho e fortalecer a participação dessas mulheres no mercado”, destacou Bianca Lopes Bentes, analista de Relações Comunitárias da MRN.

Ao longo dos últimos meses, as participantes tiveram acesso a capacitações voltadas à gestão de negócios, produção e comercialização. A feira marcou o encerramento desse ciclo, permitindo que as empreendedoras apresentassem, na prática, os resultados alcançados. “Esse foi um momento de culminância de todo um ciclo de atividades da Rede Empreendedora de Mulheres Amazônidas. Ao longo desse período, realizamos diversas oficinas de capacitação e agora, ver essas mulheres reunidas foi a certeza de que o trabalho valeu muito a pena”, afirmou a coordenadora da AOMTBAM, Marcela Acioli.
Para a organização, o evento representa um avanço no fortalecimento das iniciativas econômicas lideradas por mulheres na região. A proposta é ampliar a autonomia financeira das participantes e incentivar a criação de redes de colaboração entre diferentes comunidades. “Para nós que moramos em comunidade, uma das maiores dificuldades é o transporte para trazer os produtos até a cidade. Então, estar ali foi uma grande oportunidade de divulgar nosso trabalho e valorizar os produtos da nossa terrinha”, explicou Marielza Marques, da comunidade Aibi, no município de Faro.
Entre as expositoras, o encontro também foi visto como uma oportunidade de troca de experiências e de superação de desafios cotidianos, como as dificuldades de acesso a insumos e logística de transporte. “Mesmo com desafios como a logística para receber materiais, foi muito importante estarmos ali mostrando o nosso trabalho e incentivando outras mulheres a empreender. Ver tantas histórias de mulheres batalhando e crescendo inspira muito a gente”, disse Bianca Beltrame, que trabalha com papelaria personalizada em Porto Trombetas.
Segundo representantes da organização, ações desse tipo contribuem diretamente para o desenvolvimento social das comunidades, ao estimular a geração de renda, fortalecer a segurança alimentar e ampliar as possibilidades de inserção das mulheres no mercado. “Ao capacitarmos e incentivarmos essas mulheres, promovemos a autonomia econômica e a geração de renda, contribuindo diretamente para o fortalecimento da segurança alimentar e para a ampliação de oportunidades dentro das próprias comunidades. Esse processo está alinhado aos princípios de sustentabilidade social, ao estimular o desenvolvimento local de forma inclusiva. Além disso, a troca de experiências entre mulheres de diferentes territórios amplia perspectivas e potencializa o desenvolvimento do empreendedorismo feminino”, disse a gerente de Departamento de Relações Comunitárias e Responsabilidade Social Corporativa da MRN, Elessandra Correa.
A iniciativa também está alinhada a estratégias de responsabilidade social voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao desenvolvimento sustentável na região amazônica.















































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