Cooperativas e associações da agricultura familiar em dez municípios do Oeste do Pará estão recebendo apoio técnico e formativo com foco no fortalecimento institucional, melhoria da gestão e ampliação do acesso ao mercado. A ação faz parte do Projeto Forte Mais Gestão, coordenado pelo Instituto Federal do Pará (IFPA), campus Santarém, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
A iniciativa foi implantada no final de 2023, com a seleção de 20 empreendimentos localizados nos municípios de Santarém, Belterra, Mojuí dos Campos, Alenquer, Monte Alegre, Oriximiná, Óbidos, Rurópolis, Uruará e Placas. Santarém, Óbidos e Rurópolis atuam como polos de articulação regional do projeto, que conta com equipes técnicas, professores, analistas e bolsistas dedicados a acompanhar as organizações selecionadas.

Entre os primeiros beneficiados estão a Cooperativa Agrícola Mista de Produtores (CCAMPO), a Cooperativa dos Produtores da Agricultura Familiar de Santarém (COOPAFS), a Cooperativa da Agricultura Familiar de Mojuí dos Campos (COOFAM), a COOPBOA (de Boa Esperança) e a Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta e Agroindústria Sumaúma. Esses empreendimentos receberam visitas técnicas que marcaram a etapa inicial de avaliação e nivelamento.

Segundo o analista do projeto, Andreos Leite, essas visitas são fundamentais para construir um retrato detalhado das organizações. “É o momento de entender corpo a corpo as potencialidades, deficiências, oportunidades e ameaças de cada empreendimento. Com isso, conseguimos qualificar as demandas e propor estratégias de fortalecimento”, afirma. O diagnóstico leva em conta cinco pilares: organização social, produção, gestão, agregação de valor e acesso ao mercado.

A partir dessa análise, será elaborado um plano estratégico de desenvolvimento para cada organização, com a participação direta de técnicos, bolsistas e professores do IFPA. “Esse trabalho permite identificar o nível de maturidade de cada empreendimento e compreender como eles se inserem na lógica da bioeconomia amazônica”, reforça Andreos.
Para Tamiles Franco, jovem cooperada da COOPAFS, uma das metas mais importantes é diversificar a presença no mercado. “Queremos manter o produto do cooperado disponível por mais tempo, não apenas para programas institucionais, mas também para o setor privado”, destaca.
Além das visitas técnicas, o projeto oferece oficinas e formações direcionadas às lideranças das organizações. Em Santarém, membros da Associação de Produtores Rurais (APRUSAN) participaram de um segundo encontro no campus do IFPA. A atividade utilizou a metodologia “árvore de ideias” para promover uma escuta ativa das expectativas dos associados e construir estratégias a partir da realidade local.

“O objetivo é criar um diagnóstico participativo, baseado em escuta e diálogo. Não se trata apenas de preencher formulários, mas de entender como as pessoas percebem suas organizações e o que esperam delas”, explica Wander Oliveira, analista da equipe técnica. Para ele, esse processo de construção coletiva é essencial para que o projeto alcance impactos reais e duradouros.
A Associação de Moradores do Bairro Pérola do Maicá (Ambapem), a Associação Tapajós Orgânicos, a Associação das Cooperativas Agroextrativistas do Oeste do Pará (Acosper), a Cooperativa Mista Agroextrativista do Tapajós, a COOPRUVAS (de Urucurituba) e a Associação de Produtores do Alto Jari também já foram visitadas na primeira fase do projeto.
Com ações articuladas e acompanhamento contínuo, o Projeto Forte Mais Gestão busca impulsionar a agricultura familiar na região, valorizando os saberes locais, promovendo a autonomia das organizações e fortalecendo o papel das cooperativas no desenvolvimento socioeconômico da Amazônia.














































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