O município de Juruti, no oeste do Pará, passou a contar com um laboratório voltado à produção de bio-óleos e manteigas vegetais a partir de matérias-primas da floresta amazônica. A unidade, chamada BioJuruti, foi implantada no Distrito de Castanhal, na zona rural, e deve impulsionar a cadeia produtiva local, com foco na geração de renda e no uso sustentável dos recursos naturais.

Com investimento de R$ 2,3 milhões, a estrutura amplia a capacidade de beneficiamento de produtos como cupuaçu, tucumã, castanha, buriti, patauá e andiroba. A proposta é agregar valor à produção extrativista e agrícola da região, fortalecendo a economia local e incentivando práticas alinhadas à bioeconomia. “O BioJuruti é a demonstração de que uma articulação bem feita consegue transformar ações em projetos de impacto. E deu certo porque a gente está falando de territorialidade da ciência e das relações construídas dentro do laboratório”, afirmou professor Ney Oliveira, do ISACI.
A iniciativa é resultado de um acordo de cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade e a Alcoa, por meio do programa Regulariza Pará. O projeto também envolve a Universidade Federal do Pará, a Cooperativa Agroindustrial de Castanhal e Planalto (COOCALP), o Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação (ISACI) e a prefeitura municipal. “Nosso objetivo é contribuir para que Juruti se desenvolva de forma sustentável, com a valorização dos saberes gerados na Amazônia, gerando oportunidades e qualidade de vida para a população e construindo um legado de excelência para as gerações futuras”, afirmou Pamella De-Cnop, diretora de Sustentabilidade da Alcoa.

Segundo o governo estadual, o laboratório foi estruturado para fortalecer cadeias produtivas já existentes e abrir novas oportunidades para agricultores e extrativistas. A previsão é que o projeto receba apoio técnico da UFPA até 2027, quando a gestão deve ser assumida pela cooperativa local. “Eu agradeço imensamente a todas as instituições e pessoas que acreditaram no nosso sonho e o transformaram em realidade. Mas nada é tão concreto quanto transformar recursos naturais como castanha, buriti, andiroba, tucumã e tantos outros em renda para a comunidade do distrito de Castanhal”, enfatizou Professor do NUMA/UFPA, Otávio do Canto.
De acordo com o secretário adjunto da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, o diferencial da iniciativa está na participação direta da comunidade em todas as etapas do processo produtivo. “Muitas vezes, em projetos de bioeconomia, a comunidade participa apenas fornecendo a matéria-prima. Aqui em Juruti, não. O protagonismo comunitário é do início ao fim. Vocês trabalham a matéria-prima e produzem a partir dela. O diferencial desse projeto é justamente esse: garantir autonomia e protagonismo completo para a comunidade”, afirmou.

Representantes da cooperativa destacam que o projeto também contribui para reduzir desperdícios e ampliar a renda dos produtores. “Muitas sementes que antes seriam descartadas agora são transformadas em produtos que geram retorno financeiro para a comunidade”, disse o diretor financeiro da COOCALP, Jackson Lima.
Para pesquisadores envolvidos, o BioJuruti representa a integração entre ciência, inovação e saberes tradicionais. A proposta é consolidar um modelo de desenvolvimento baseado na valorização da floresta em pé, com inclusão produtiva e fortalecimento territorial. A iniciativa está alinhada ao Plano Estadual de Bioeconomia, lançado em 2022, e integra a estratégia do Pará de promover crescimento econômico sustentável a partir dos ativos da sociobiodiversidade.
A prefeitura de Juruti avalia que o novo equipamento reforça a vocação do município para a bioeconomia. A expectativa é que o laboratório atue como um polo de desenvolvimento, conectando produção, beneficiamento e comercialização, além de ampliar oportunidades para as comunidades rurais da região. “Juruti recebe hoje um investimento que fortalece nossa vocação para a bioeconomia e valoriza quem vive e produz no território. É uma entrega que gera oportunidade, renda e desenvolvimento com responsabilidade ambiental para as comunidades”, destacou Lucidia Batista, prefeita de Juruti.















































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